“Você é um desserviço à sociedade”

Isso que você leu é uma mensagem que eu recebi de uma mulher. Sim! De uma mulher. Além desse tipo de mensagem, eventualmente recebo coisas como: “nem bonita você é para falar sobre esse assunto”, “você é triste, sua vida é triste, como alguém pode querer ser como você?”. E algumas variações…

Isso me faz refletir sobre algumas coisas que vi e li no dia das mulheres. Parecia uma vontade de mostrar aos homens quão sensacionais nós somos, com pedidos indiretos de reconhecimento, respeito  e uma florzinha por parte deles.

E eu volto uma casinha atrás no jogo para refletir sobre o tratamento que nós mesmas damos umas às outras. Quem nunca olhou para uma mulher e pensou: “ela nem é tão bonita assim para estar com ele”, “ela não tem corpo para usar essa saia curta”?

Nós mesmas estamos nos condenando, faltando com o respeito, nós mesmas estamos estabelecendo as regras e padrões que lutamos para derrubar. Vamos nos respeitar primeiro, paremos com esses padrões de ter que ser bonita, ter que ter o corpo assim ou assado, de ter, de ter…

As mulheres que pensam (e me escrevem dizendo) que o meu trabalho é determinar como as mulheres têm que agir, ou que eu ensino a pensar como os homens porque sou machista, ou que eu sou um desserviço à sociedade são as mesmas que no dia das mulheres estão querendo palmas, florzinha e postando foto de “somos demais, damos conta de tudo”.

Essas mulheres não se conectam comigo e claramente não conhecem meu trabalho. E tá tudo bem. Elas não sabem que o meu trabalho é um convite constante de olhar para o outro como ser humano e entender que homens e mulheres têm sua luz, mas têm sua sombra também. Todos temos.

E esse texto não é para elas, porque elas nem estão aqui (eu não gasto energia com isso, bloqueio e pronto). É para você que me lê. E que sabe, especialmente se você é minha aluna, que o meu trabalho é um convite à reflexão constante, um convite a se permitir experimentar, a sair da zona de conforto para conquistar qualquer coisa que você deseja.

É para você me ajudar (e se ajudar também) a olhar a mulher que está perto de você com respeito, entendendo que ela está vivendo as lutas internas dela, por mais que você não entenda, por mais que não pareça. Não julgue a saia curta, o cabelo mal pintado, o trabalho que ela faz. Ela, eu e todas nós temos nossas lutas internas, que enfrentamos todos os dias, assim como você.

Vamos nos respeitar primeiro, vamos dar o exemplo do que queremos. Mostre ao mundo o respeito que você quer ter dos homens, se respeitando e respeitando a outras mulheres também.

E antes que me digam isso, ninguém é obrigado a concordar com tudo, nem com meu conteúdo. Claro que não. Mas uma coisa é não concordar e sair ou questionar para entender como o outro pensa, para uma conversa de entendimentos e não de convencimento. Outra coisa é não concordar e destruir o trabalho ou a imagem de alguém, julgar, desrespeitar.

Como seria o seu mundo se você se respeitasse e se amasse profundamente? O que você seria capaz de conquistar? Vamos juntas construir um mundo de mulheres que não aceitam menos do que merecem, que sabem se posicionar e que se respeitam acima de tudo.